|
Etanol de mandioca doce A variedade descoberta pelo pesquisador é na realidade uma mutação genética, guardada e usada pelos índios brasileiros antes mesmo de os portugueses chegarem ao Brasil, para obtenção de bebida alcoólica. “Eles usavam a bebida, chamada caxirim, nas cerimônias religiosas e nas celebrações”, diz o pesquisador. A planta mutante, após um processo tradicional de seleção de variedades e cruzamento com plantas adaptadas a algumas regiões escolhidas para futuros plantios, resultou em uma variedade que dispensa o processo de hidrólise do amido da mandioca para transformação em açúcar e conversão em álcoois, inclusive o carburante para o combustível. “A eliminação da hidrólise do amido reduz em torno de 30% o consumo de energia no processo de produção de etanol de mandioca”, diz Carvalho. Da variedade, chamada de mandioca açucarada, a raiz é colhida, moída, prensada e o caldo sai pronto para ser usado no processo de produção do álcool, o que a diferencia das outras matérias-primas utilizadas com a mesma finalidade. “Os substratos que existem no reino vegetal ou são sacarose, da cana, da beterraba e do sorgo sacarino, por exemplo, ou amido, do milho, de raiz de mandioca, grãos de arroz e grãos de sorgo. Também podemos fazer etanol de bagaço da cana, de gramíneas e resíduos de lavouras”, diz Carvalho, que tem em seu currículo, além da formação em agronomia na Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, mestrado em genética, doutorado em bioquímica e pós-doutorado em genética evolutiva e biologia molecular. Pelo processo tradicional de produção de álcool de mandioca é preciso recorrer a enzimas para transformar o amido em açúcar. A proposta de produzir álcool a partir da mandioca açucarada não significa concorrência com o etanol de cana-de-açúcar, mas sim a possibilidade de ocupar outros nichos agrícolas, como a Amazônia, o Nordeste e o Centro-Oeste. Essas foram as regiões escolhidas por Carvalho para dar início ao teste de variedade, primeiro passo para saber se a característica de produzir glicose em vez de amido mantinha-se em todos os locais. Como o ciclo da mandioca, do plantio à colheita, é longo, no caso da convencional fica entre 18 e 24 meses, os testes foram realizados entre os anos de 2001 e 2004. “Para a mandioca açucarada o ideal é a colheita ser feita dez meses após o plantio”, diz Carvalho. Isso porque, como a raiz é muito macia e contém grande quantidade de açúcares, se a planta não for colhida na época certa as raízes sofrem ataque de formigas e roedores, pragas que pouco atacam as mandiocas tradicionais.
Notícia na íntegra: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3457&bd=1&pg=1
|