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Eletroímãs na fermentação do caldo de cana aumentam a produção de etanol

Seis pequenos e poderosos eletroímãs, distribuídos estrategicamente em torno de um tubo de aço inoxidável por onde passam o caldo de cana-de-açúcar, chamado mosto, e as leveduras utilizados na fermentação do etanol, resultaram em um rendimento até 17% maior em relação ao processo convencional, ganho decorrente da redução do tempo gasto com essa tarefa. “Enquanto o processo tradicional de fermentação no experimento controle demorou 15 horas, com a aplicação dos ímãs acoplados ao biorreator esse tempo foi reduzido para 12 horas”, diz o professor Ranulfo Monte Alegre, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do projeto, que teve a participação de quatro pesquisadores cubanos, Victor Haber-Perez, Oselys Rodriguez Justo, Alfredo Fong Reyes e David Chacón Alvarez, do Centro Nacional de Electromagnetismo Aplicado (CNEA) da Universidad de Oriente, em Cuba. “O ganho de produção foi possível porque o campo magnético alterou o metabolismo das leveduras”, diz Monte Alegre. Os pesquisadores acreditam que o campo magnético pode influenciar o potencial das membranas celulares e, conseqüentemente, alterar a sua permeabilidade à passagem de nutrientes. “Então, se a permeabilidade aumenta, o transporte de substrato no interior da célula também aumenta, e com isso a levedura Saccharomyces cerevisiae, usada na fermentação, trabalha mais rapidamente no consumo desse substrato, resultando em maior produção de etanol”, explica o professor. Embora o resultado tenha sido comprovado pelos pesquisadores, esses efeitos biológicos dos campos eletromagnéticos ainda não foram completamente elucidados. Uma outra hipótese atribui ao campo magnético a capacidade de mexer, de alguma forma, com as enzimas, que são os catalisadores biológicos, deixando-as numa conformação mais apropriada para reagir com o substrato, no caso o açúcar, e com outros compostos do processo. A publicação da pesquisa no site da Technology Review, revista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), chamou a atenção da comunidade científica internacional e de empresários. “Recebi muitas comunicações do exterior, inclusive de uma empresa norte-americana interessada em conhecer mais detalhes da nossa tecnologia e financiar a continuidade das pesquisas. A possibilidade de aplicá-la em processos de produção de etanol a partir de milho e biomassa (resíduos celulósicos) foi um dos questionamentos mais freqüentes.”


Notícia na íntegra: http://revistapesquisa.fapesp.br/index.php?art=3439&bd=1&pg=1&lg=



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